Capítulo 5 - Ataque
5 de novembro de 2025 às 21:37
Mercedez
Desci as escadarias depressa, deixando para traz Estevam. Minhas lágrimas caíam pesadas e doloridas, eu estava cansada de ser deixada de lado e ser tratada como um troféu. Ser esposa troféu havia me tornado uma pessoa triste, esgotada. Ele amava Camila, mesmo ela não fazendo parte da elite marítima. Seus olhos brilhavam quando a via.
Há tempos que nosso divórcio estava em evidência, porém nesses últimos tempos Estevam me enrolava, pois metade de suas ações seriam minhas e isso ele não queria que acontecesse. Seu poderio se desmancharia, suas frotas diminuiriam assim como seus investimentos. Ele me amava, pois minha família em Santos era influente nos negócios. Estevam fechava os negócios, mas meu sobrenome que pagava.
Nos últimos degraus a vi, Camila indo para casa, carregando uma sacola e um guarda-chuva. A mulher pra mim era uma inútil, porém era bela. Isso não podia negar.
- Camila! - gritei pelo seu nome e ela virou-se para mim.
Enraivecida, aproximei-me dela e ouvi ao longe um trovão, forte o suficiente para assustá-la.
- Vai chover... - ela comentou, passando a mão no uniforme de garçonete. - desculpe-me, senhora... mas o que está fazendo aqui embaixo, nesse escuro?
Revirei os olhos e antes de respondê-la, dei-lhe um tabefe no rosto. Ela me encarou em seguida, com o cabelo desgrenhado, sem entender a minha ação.
- Estevam chegou a falar pra você que vamos nos divorciar por sua causa?
Ela meneou a cabeça, assustada e tentando se afastar de mim, porém a puxei pelo braço e a encarei.
- Se eu assinar os papéis, é em questão de dias e ele será igual a você... uma ninguém.
Ela puxou com força o braço para si.
- Ah, Mercedez, por favor... não quero discutir com você, estou cansada. Quero ir pra casa, deixa eu seguir meu caminho, você está bêbada.
Ela caminhou depressa pela viela escura, entre casebres e escadarias menores.
- Camila! - gritei e uma das luzes de um dos quartos acendeu e logo depois apagou.
- Para de gritar, que aqui não é lugar disso! - ela murmurou e continuou andando. - vou ligar pro seu marido vir buscá-la.
Eu gargalhei.
- Atrevida você, não é?
Ela revirou os olhos e pegou o celular acendendo o visor depressa. Quando vi a foto de Estevam na tela do seu celular, dei um tapa e o celular foi parar longe, quebrando a tela.
- Você está louca? - ela agachou-se para pegar o aparelho quebrado do chão.
Dei uma outra gargalhada.
- Quer saber de uma coisa, vou voltar lá pra cima e chamar alguém pra te levar... você está descontrolada.
Ela afastou-se de mim e subiu as escadas de volta ao Monte Serrat, ela era rápida, mesmo assim a segui, gritando pelo seu nome, porém ela não olhava para trás.
Meu vestido prendeu-se em alguma coisa, o puxei e ele se rasgou, mesmo assim continuei subindo.
As luzes surgiram no alto e eu encontrei o baile em seu fim, porém havia vários investidores conversando e apertando as mãos. Esquadrinhei o local procurando por Camila e não a encontrei, me dirigi até a entrada de serviços, mas antes de acessá-la levei um chute nas costas, fazendo-me perder o equilíbrio e cair no chão de borco.
A minha visão escureceu, tateei o chão à procura de algo para me segurar, porém recebi um novo chute, sentindo em seguida o gosto de sangue na boca.
Fui perdendo a consciência aos poucos.