ID da obra: 49

Um corpo nas marés - NaNoWriMo

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planejado Midi, escrito 13 páginas, 5.327 palavras, 9 capítulos
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Capítulo 6 - dia de folga

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PEDRO Acordar tarde após uma noite agitada era algo incomum ultimamente, pois as folgas demoravam a vir. Sentei na cama e minha mente voltou à noite no pub, do beijo em um desconhecido e como tinha sido fraco a ponto de nem perguntar o nome daquele homem. Em outras épocas não teria feito nada disso, pois meu foco era conhecer alguém e fixar; gosto de conexões, nada líquido, porém minha mente estava cheia e eu sentia muita raiva por causa do meu término. Beijar alguém sem perguntar nome e idade havia sigo algo libertador. Era um grito em meio à dor. Peguei o celular de cima da cômoda e vi mensagens de voz de Paula. Ela parecia preocupada, apenas respondi "livre" e ela mandou uma gargalhada. Fui tomar um banho gelado enquanto ouvia seus áudios sobre o caso da mulher na praia, de que a perícia estava atuando em busca de coincidências. Não havia mulheres desaparecidas relatadas, então aquele cadáver era um mistério. Havia um caso ou outro de brigas conjugais que Paula foi comentado no áudio, porém perdi o interesse e a deixei falando sozinha. Ensaboei o cabelo e fiquei debaixo d'água perdendo todo o áudio dela. Aquilo de certa forma foi bom, pois queria descansar a mente em meu dia de folga. Após o banho, peguei o celular e o coloquei para carregar, desligando-o por um tempo. Queria distância do serviço, só por algumas horas. Eu precisava relaxar. Fui até a janela e vi que o dia estava iluminado, que era um milagre. Sol ao meu favor, um banho de mar até que não seria algo ruim. Morar de frente a praia do Gonzaga tinha suas vantagens, era atravessar a rua e o jardim que estava nas areias. Procurei por minha sunga, colocando-a em seguida, depois me vesti, bem praiano. Peguei meu ray-ban e minha nécessaire e saí do apartamento pronto para me desestressar e ver corpos bonitos. Ao atravessar a avenida, olhei pra traz ao som de sirenes, a polícia estava em movimento, meneei a cabeça, tentando em desconectar daquilo e segui para a praia, comprando logo em seguida uma água de coco. O cheiro do mar fez meu corpo todo estremecer, ter aquele sossego merecido era difícil, mas merecido. Peguei minha toalha embrulhada na nécessaire, esparramei ela e me deitei, pronto pra deitar e ouvir o som do mar; um calmante. Foi quando ao me virar de bruços, o vi, Diego vindo em minha direção com um rapaz, eles corriam na praia. Estavam treinando. Diego ao me ver parou bruscamente e o cara dos seu lado tropeçou na areia. - Pe-pedro - Diego gaguejou. - Oi, Diego - falei e fiz questão de ignorar o colega, mesmo parecendo ser simpático. - Esse é Rafael - ele disse, ficando vermelho, pois já sabia o que estava acontecendo. Revirei os olhos, sentei e peguei a água de coco, dizendo em seguida: - Por favor, Diego... agora não - falei, sugando a água com toda a força que fez arder meu nariz. Deitei outra vez e fiquei de bruços, sentindo o sol queimar a minha pele - havia esquecido de passar protetor solar. Vi uma toalha sendo estendida ao meu lado e eu encarei aquela situação assustado. - O que você está fazendo?! Diego esboçou um meio-sorriso e disse: - Achei que não se importaria de companhia já que me ligou dia sim e dia não nesses últimos dias... Revirei os olhos e bufei de raiva. Ele riu. Rafael deitou ao seu lado e ficou em silêncio, parecia desconfortável com a situação. O rapaz era mais alto que meu ex, moreno e bronzeado. Já Diego era loiro e magro, com um pouco de abdômen. Os dois faziam um ótimo casal e aquilo me deixou ainda mais com raiva. - Isso que eu queria paz - soltei, olhando para a tela escura do meu celular e lendo uma mensagem de Paula, que dizia que o caso da mulher encontrada na praia de São Vicente era definitivamente nosso. Levantei depressa, limpando minhas costas do pouco da areia e disse a Diego: - Se importa de cuidar das minhas coisas? Não ouvi sua resposta, corri para as águas e mergulhei. Entrei no mar, deixando o casal para trás fitando-me sem entender minha ação. O caso era nosso. Isso era uma notícia ótima! Fui além das ondas, nadando em direção do horizonte e deixando minha animação cobrir-me e fazer com que esquecesse dos dois sentados na praia. Eu estava com raiva de encontrá-lo com um rapaz que desconhecia e também estava feliz, pois não sentia tanta dor como sentia antes. O trabalho, às vezes, nos salva. Fiquei um tempo na água, pensando nas mensagens de Paula, em Diego e em tudo que estava acontecendo comigo ultimamente. Assim que cansei de mergulhar, voltei às areias encontrando Diego e Rafael de pé, prontos para irem embora. - Mas já vão? - falei com um sorriso sarcástico. - Pois é - disse Diego desapontado. - Achei que quisesse conversar comigo, mas vi que não... - Diego, estou de folga... se quisesse conversar de fato comigo, teria atendido minhas ligações e você sabe muito bem o tanto que tentei para que não chegasse no ponto que chegou - falei, pegando a toalha e me secando. Fitei Rafael e ele estava vermelho, como se tivesse morrendo de vergonha da situação. - Por favor, Diego - comecei - Se realmente quiser conversar comigo, marque um horário e um local e estarei lá, mas não quero discutir com você nosso relacionamento ao lado de civis. Ele revirou os olhos e riu. - Você é muito engraçado - disse ele segurando a mão de Rafael e indo embora, deixando-me para trás arrasado e parecendo um pobre coitado. Diego queria me ferir e tinha conseguido. Arrumei minhas coisas, entristecido com a situação e voltei ao hotel. Precisava ligar para Paula e me distrair urgente, mas estava acabado. Assim que entrei no apartamento deitei no sofá e acabei adormecendo com lágrimas nos olhos. Acordei com um grito de mulher, achei que fosse Paula me assustando, mas a sala estava vazia. Talvez tivesse sido um pesadelo qualquer. Olhei para meu celular e ele tinha várias ligações perdidas de minha amiga. Ela não me deixaria em paz mesmo - ter amigos no trabalho, às vezes tinha as suas desvantagens. - Oi, Paula - liguei para ela e minha voz saiu sonolenta. - Tenho novidades - disse ela - Assim que voltar amanhã faremos os primeiros interrogatórios. Fitei o teto, um pouco desanimado e respondi, tentando mostrar um pouco de ânimo: - Ótimo! Já sabe de quem é o corpo? - Pelas vestimentas, parece ser uma mulher rica e com a aliança no dedo, casada. - ela falou com entusiasmo. Lembra que falei pra você que não havia nenhum chamado? Então, fiz algumas buscas e descobri que dias atrás houve um boletim de ocorrência de um desaparecimento, uma mulher de meia-idade esposa de um famoso dono de cargueiros do porto. Suas palavras soaram interessantes para mim. - Essas informações serão o ponta pé inicial de nossa investigação - ela parecia ansiosa na ligação. - Então, amanhã nos veremos - falei, indicando que queria terminar a ligação. - Ótimo, - disse Paula - até amanhã... Pedro, - ela chamou - Você está melhor? Desliguei a ligação antes de responder. Deitei pesadamente no sofá e chorei, tentando suprimir toda a angústia dentro de mim. Diego havia me destruído. Precisava reencontrar aquele homem de olhos azuis; precisava do seu beijo para me fazer esquecer uns minutos da existência do meu ex, mas como? Quem era aquele homem? Até poderia ser um turista e nunca mais o veria novamente... deitei no sofá e fiquei olhando para o teto, em silêncio, ouvindo o trânsito do lado de fora e deixando as horas passarem. Eu precisava mudar a minha rotina, ficar assim não dava mais... estava acabando comigo mesmo, aos poucos e eu sentia bem lá no fundo que eu estava certo, em pedir em silêncio, por mais uma chance com aqueles olhos azuis... Acabei adormecendo e sonhando com o mar, uma brisa calma e uma mulher de vestido vermelho acenando para mim ao longe.
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