ID da obra: 49

Um corpo nas marés - NaNoWriMo

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planejado Midi, escrito 13 páginas, 5.327 palavras, 9 capítulos
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Capítulo 2 - A noite do baile

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ESTEVAM O vestido dela era vermelho e em seus lábios o batom de mesma cor, aquilo de certa forma me incomodava, pois ela queria provocar e deixar-me constrangido diante aos demais. Mercedez era uma mulher esbelta e de cabelos pretos sedosos, que qualquer que a visse, se apaixonava, mas ela era minha. Sempre foi. Nossa noite seria no alto do Monte Serrat, no antigo cassino, seria uma reunião aos meus olhos, para mostrarmos o quanto tínhamos de dinheiro e poder, mas para as mulheres era mais uma noite de baile e risadas. Vê-la de bruços no mirante observando o porto de Santos, iluminado deixava-me cada vez mais apaixonado. Suas curvas eram acentuadas por aquele vestido de seda. A observei ao longe, enquanto ela derramava suas lágrimas. Tínhamos brigado minutos antes de chegarmos ao baile, ela deixou-me sozinho entorno de homens poderosos enquanto dirigiu-se para aquele canto solitário. Não aproximei-me dela, a deixei ali. Procurei pelo charuto no bolso da calça, mas o encontrei caído no chão úmida pela chuva de mais cedo. Agachei-me para pegá-lo e nos minutos que meus olhos se descuidaram daquela visão de minha esposa, ela desapareceu. A procurei por todos os lados e não a encontrava mais. Para onde ela foi? - perguntei-me seguindo em direção da igreja de Monte Serrat, esquadrinhei o caminho de pedra e não a encontrei em lugar algum. Parei, respirei fundo e bufei, exasperado. Meneei a cabeça e fiz o que minha mente pedia, deixei um sorriso mudar minha expressão de descontentamento e segui para dentro do salão de festas. Uma hora ela voltaria e teríamos uma reconciliação como todas as vezes. Todos à voltaram olharam minha direção e como se eu estivesse em câmera lenta, aproximei-me junto do meu melhor amigo, que segurava uma taça de champanhe entregando-me eufórico. - Estávamos à sua procura Estevam! - disse ele um pouco animado de mais - Comemore, meu querido, acabei de fechar um transporte de equipamentos eletrônicos milionário! Tentei em uma máscara mostrar animação diante à sua perspectiva, mas minha noite havia acabado assim que Mercedez desaparecera na noite. - Cadê a sua esposa? - perguntou uma de suas amigas, Elizabeth segurando uma rosa vermelha nas mãos - Ela vai perder a melhor parte da noite, Estevam. Mordi os lábios internamente, pois não queria esbravejar ou xingar ninguém ali. Mercedez tinha que aparecer logo. - Ela saiu pra tomar ar puro, já já ela volta... - Ah, querido... - Elizabeth chamou a minha atenção - aconteceu de novo? Assenti e ela pegou a minha mão, puxando-me para um canto, fechando a porta atrás de si e nos deixando no escuro. Seus olhos azuis fitaram-me profundamente antes de dizer: - Desculpe-me, mas sua esposa é uma insuportável... como ela deixa você assim sozinho? - ela acariciou a minha mão. - Você bem que poderia... Puxei minha mão de volta e disse, enfático. - Você sabe muito bem que nunca deixarei Mercedez pra ficar contigo, Eliza. A mulher fitou-me enfurecida, deu às costas e deixou-me sozinho na escuridão. A festa à minha frente estava toda iluminada por lâmpadas fluorescentes e risadas eram abafadas pela porta fechada. Eu precisava voltar à festa, pois sem a mim, os brindes e fechamentos de negócios não fariam sentido. A minha esposa tinha que ter brigado comigo, ela tinha que desaparecer justo nesse momento. Já havíamos conversado antes, que nossas desavenças conjugais não poderiam atrapalhar os negócios e ela tinha feito totalmente ao contrário. Ali estava eu novamente, chateado pelas suas atitudes, fora que sua amiga imaginou que se aproveitaria da oportunidade e tiraria de mim, um beijo? Ou talvez uma contrato assinado para o seu marido... A noite estava sendo a pior de todas! Respirei fundo, fechei os olhos e contei até três. Novamente deixei meu semblante convidativo e saí do esconderijo, pronto para terminar a noite e fechar novos negócios, até que a vi, subindo as escadas... não podia ser! Não aqui... era ela, com um vestido preto e cabelo amarrado em um coque - estava trabalhando de garçonete. A minha amante havia surgido em meio a tantas pessoas conhecidas em meu ramo. Tentei esconder-me entre homens e mulheres, antes que ela me visse e cobrasse qualquer atenção. - Não precisa se esconder dela, Estevam - disse a voz em que mais cedo procurava, de minha esposa - Ela não vai incomodá-lo nunca mais. Já conversei com ela. - Do que você está falando, Mercedez? Meu semblante enrijeceu-se. - Foi exatamente o que você ouviu, essa vagabunda nunca mais vai falar com você, pois eu a ameacei... - Do que você a ameaçou? - minha voz saiu um pouco mais alta que o natural e as pessoas próximas nos olharam curiosas. A minha esposa encarou-me por um instante, depois afastou-se de mim, deixando-me sem respostas. A segui, sem olhar para trás ou muito menos dei atenção a quem me chamava. Saí do salão de festas e fui para o lado de fora, Mercedez desceu depressa os degraus da escadaria, deixando para trás seus saltos altos. Desci depressa as escadas úmidas e a vi desaparecendo entre casebres e arbustos. Mercedez deixou-me sozinho outra vez. Olhei para o alto da serra e franzi o cenho, teria que subir novamente a escadaria para o baile. Cada vez mais a noite piorava e as coisas estavam fugindo do meu controle. Parei por um instante, fitei ao longe os navios cargueiros no porto - a maioria meus e rezei com fé, que minha esposa fosse realmente embora e que me deixasse de vez... muito drama, muito ciúme e aquilo a cada dia que se passava fazia com que eu sentisse o contrário do amor que um dia senti por ela. Mercedez despertava o pior de mim. Olhei para o céu nublado e escuro desejando que ela nunca mais voltasse; que se fosse de uma vez e deixasse tocar minha vida de uma vez por todas. Respirei profundamente e voltei a subir as escadas, desta vez confiante, de que logo fecharia novos contratos e que minha vida mudaria para sempre.
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