ID da obra: 49

Um corpo nas marés - NaNoWriMo

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G
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planejado Midi, escrito 13 páginas, 5.327 palavras, 9 capítulos
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Capítulo 1 - Delegacia

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PEDRO Sobre a mesa de Paula havia um copo de café pela metade, o observei por um tempo antes dela chamar a minha atenção para as imagens na tela no computador. Eu estava disperso demais ultimamente, pois meu namorado havia pedido para terminarmos. - Pedro - ela me chamou, pedindo por atenção - esse caso é muito importante, pois com ele podemos subir de patente, caso consigamos resolvê-lo logo. Assenti, ainda com os olhos presos no copo de café frio. - Esquece o Diego, vamos pensar mais no trabalho, ok? - ela puxou a minha mão e isso fez com que esquecesse rapidamente as minhas dores momentâneas. - Desculpe, - respondi - nem sei onde estou com a cabeça... tenho que prestar mais atenção aqui. Ela esboçou um meio-sorriso compreensivo e voltou o rosto para a tela do computador. - Seria melhor irmos à cena do crime. Concordei com um aceno e depois verifiquei meu celular, em busca de um sinal. Uma mensagem de Diego pedindo para voltarmos. Ela meneou a cabeça em negativa, sabendo que o dia seria difícil para mim. Peguei o copo dela, joguei dentro do lixo, nos levantamos e seguimos para fora da delegacia. O dia estava ensolarado, propício para um dia na praia. Milagre, pois dias atrás a orla estava banhada por chuva e tempestade. A nossa viatura estava estacionada do outro lado da calçada, assim que entramos nela, recebi uma mensagem. Paula me fitou apreensiva e eu meneei a cabeça, triste. Não era Diego. Joguei o celular no porta-luvas e decidido a não mais me afetar durante o dia pela nossa separação. Enquanto dirigia até São Vicente, observava a praia do Gonzaga e de José Menino apinhadas de banhistas. Fazia muito tempo que não ia correr na praia, agora seria um bom motivo para voltar a fazer exercícios, pois precisava me distrair. Ao chegarmos ao estacionamento próximo aos quiosques da orla de São Vicente, observei algumas viaturas estacionadas e uma aglomeração próxima a ilha de Urubequeçaba. Faixas amarelas se estendiam por toda a areia, fechando o local e turistas tentavam se aproximar, porém os policiais ali não os deixavam ter acesso. Desci do carro e a primeira coisa que vi foram corvos-marinhos sobrevoando o ambiente próximo indicando mal cheiro. Ao longe, avistei legistas recolhendo materiais da areia da praia e outros fazendo marcações na terra com placas enumeradas. Paula e eu caminhamos pelos quiosques até a areia, fomos em direção da cena do crime e passamos por debaixo das faixas amarelas. Havia um cadáver feminino no chão enrolado em plástico bolha, coberto de areia e alguns mariscos. Estava com marcas de lacerações na cabeça e nos ombros, o quebra-mar fez questão de açoitar a pobre mulher. O corpo estava em decomposição e esbranquiçado. O rosto desfigurado e com marcas profundas. Não era um momento legal da minha vida ver uma cena grotesca daquelas, porém me mantive firme, enquanto Paula fazia todas as perguntas necessárias para os policiais que chegaram mais cedo ao ambiente. Tudo indicava que o corpo foi lançado ao mar na tempestade e que com as ondas fortes bateu no quebra-mar e depois deve ter se enroscado nas pedras do Emissário Submarino. Fitei ao longe a escultura vermelha dos 100 anos de imigração japonesa enquanto via Paula anotar as informações dos policiais presentes em seu bloco de notas. Caminhei em direção do quebra-mar, deixando a cena do crime, subi as escadas disperso em pensamentos. As areias foram trocadas pelo concreto frio, segui em direção da escultura fitando a ilha e o mar ao longe, tentando deixar meus pensamentos conectado à cena lá embaixo. Sozinho, sentindo a brisa marítima tocar a minha pele deixei meus sentidos viajarem pelas ondas, até a noite em que a mulher ainda se encontrava viva no alto do Monte Serrat.
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